segunda-feira, 1 de março de 2010

"Você não tem ossos de vidro, pode suportar os baques da vida!"


Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?
"(...)
Amor é mesmo aquela sensação de voltar para casa.
Adormecer lado a lado é a grande prova. No dia seguinte, acordar e sentir que está levando alguém com você. Descobrir um sorriso ridículo no canto da boca. Pronto, encaixou. Feito pecinhas de Lego: diferentes, mas vindas do mesmo mundo.
Lego é gostoso. Quebra - cabeça não.
Amor não é desejo: é feito de. Amor é feito de amor, mas não só.
Amor não tem razão. Ninguém ama pelas qualidades do outro, nem apesar dos seus defeitos. Ama porque o outro é o outro e pronto.
Amor é pacote completo.
Você sabe que é amor quando se descobre cúmplice. Quando tem a coragem de se mostrar. E de se ver. O outro é um espelho. Vai encarar?
Você sabe que é amor quando se entrega. Mas é melhor guardar algo para si mesmo. Amor não pode ser só para o outro,
Amor é o exercício de nao ter. Amar e não ter nada em troca. Porque se é amor, não é em troca. Amor não serve para nada, não garante nada. Como as boas coisas da vida.
Amor é presença e é falta. Uma não vive sem a outra. Amor é liberdade. Gostoso é saber que o outro, com tantas opções, escolheu você mais uma vez. O que fazer para que amanhã ele faça a mesma escolha? Mantenha-se distraído.
Amor é feito de hoje. Da arte de não fazer tudo sempre igual. Da construção. Como revestir parede com aquelas pastilhas bem pequenininhas. No amor é preciso colocar uma por uma. Sem pressa de ver pronto. Pra mim, é esse o sentido de amar como se não houvesse amanhã. Menos voraz do que sugere.
(...)
Uma convicção: amor é delicadeza."
"Então eu te disse que me doíam essas esperas, esses chamados que não vinham e quando vinham sempre e nunca traziam nem a palavra e às vezes nem a pessoa exatas. E que eu me recriminava por estar sempre esperando que nada fosse como eu esperava, ainda que soubesse."

"Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma.
Até cortar os defeitos pode ser perigoso
- nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro...
Há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Quase quatro anos me transformaram muito.
Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas.
Você já viu como um touro castrado se transforma em boi.
Assim fiquei eu...
para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim.
E com isso cortei também a minha força. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você
- respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma- é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão.
Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral.
Mas
o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber.
Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma".

Clarice Lispector


A felicidade (Por João Paulo Cuenca)

Felicidade é quando nossos pés descalços afundam na areia, e nos beijamos nos lábios e afundamos nossos corpos um contra o outro num abraço incondicional e chove forte sobre as nossas cabeças e as gotas são esferas de vidro com recordações do que ainda não vivemos e as gotas se transformam em asas de gaivotas que rasgam o horizonte,e não há culpa sobre os nossos ombros quando eu olho pra você e enxergo outras, quando você me ve e eu sou vários, e a combinaçao infinita entre esses milhões de casais que moram dentro dos nossos olhos caminha até o mar quente que nos envolve em ondas, e nos molha a todos, os vários de nós dois entrelaçados em combinações improváveis,ate que a palavra outro perca totalmente o sentido, até que nos encontremos no ponto onde seremos juntos algo que não sou eu e tampouco é você .

E então , sob a luz de um amanhecer cor de sangue, atravessaremos o oceano em queda livre, e após retorcer o eixo do mundo com as pontas dos dedos, teremos o céu sob os pés descalços e as cidades do planeta Terra serão pequenos pontos de luz abaixo do nosso vôo, nossos sorrisos iluminados como que por fogos de artifício a medida que nos encaramos sem volta, confortáveis em haver perdido o caminho de casa, quando passado e futuro serão termos sem significado,
por que so haverá (há) o presente, o instante agudo onde as órbitas dos seus olhos se refletem nas minhas, e vice-versa, como uma multidão de espelhinhos, até que esses planetas livremente se alinhem em uma oposição numa reta perfeita -
e nenhum de nós, nunca mais, precise mentir para o outro.

só para guardar...

'Pegue as estradas certas, às vezes a errada.
Esqueça os dias, não se prenda nas horas e saiba que te amo!'


"Dizem que a gente tem o que precisa. Não o que a gente quer. Tudo bem. Eu não preciso de muito. Eu não quero muito. Eu quero mais. Mais paz. Mais saúde.Mais dinheiro. Mais poesia. Mais verdade. Mais harmonia. Mais noites bem dormidas. Mais noites em claro. Mais eu. Mais você. Mais sorrisos, beijos e aquela rima grudada na boca. Eu quero nós. Mais nós. Grudados. Enrolados. Amarrados. Jogados no tapete da sala. Nós que não atam nem desatam. Eu quero pouco e quero mais. Quero você. Quero eu. Quero domingos de manhã. Quero cama desarrumada, lençol, café e travesseiro. Quero seu beijo. Quero seu cheiro. Quero aquele olhar que não cansa, o desejo que escorre pela boca e o minuto no segundo seguinte: nada é muito quando é demais."

"Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem".

Encerrar ciclos

É importante reconhecer quando uma etapa chega ao fim...
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrar ciclos, fechar portas, terminar capítulos.
Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver noutro país? Uma amizade tão longamente cultivada desapareceu?
Podemos passar muito tempo perguntando a nós próprios por que é que aconteceu....
Podemos dizer a nós próprios que não iremos dar mais nenhum passo enquanto não percebermos as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas na nossa vida, serem subitamente transformadas em pó.

Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: os nossos pais, os nossos amigos, os nossos filhos, os nossos irmãos, todos estarão a encerrar capítulos, a virar a folha, a seguir em frente, e todos vão sofrer ao perceber que nós ficamos parados.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos perceber as coisas que acontecem connosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já se foi embora e não tem a mais pequena intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está a acontecer no nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está a jogar nesta vida com um baralho viciado, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não podemos esperar que nos devolvam alguma coisa, nem que reconheçam o nosso esforço, que descubram o nosso génio ou que entendam o nosso amor.

Há que parar de ligar a nossa televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como sofremos com determinada perda: isso não é mais que um veneno, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que separações que não são aceites, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: temos de dizer a nós próprios que o que já passou, jamais voltará!
Temos de nos lembrar de que houve uma altura em que podíamos viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode até ser difícil, mas é muito importante.
Encerrar ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na nossa vida.

Fecha a porta, muda o disco, limpa a casa, sacode a poeira. Deixa de ser quem eras, e transforma-te em quem agora és.

Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és.


Como a Fénix, renascer das cinzas

O que fazer quando parece que tudo vai pelo ralo abaixo?

a) Pegar o "touro pelos cornos".
b) Procurar uma solução alternativa.
c) Procurar desesperadamente por alguma coisa que tape o ralo.
d) Aceitar a situação e deixar-se arrastar por ela. Eu páro e a vida passa por mim.

Fingir que está tudo bem


fingir que está tudo bem: o corpo rasgado e vestido
com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro
do corpo, gritos desesperados sob as conversas: fingir
que está tudo bem: olhas-me e só tu sabes: na rua onde
os nossos olhares se encontram é noite: as pessoas
não imaginam: são tão ridículas as pessoas, tão
desprezíveis: as pessoas falam e não imaginam: nós
olhamo-nos: fingir que está tudo bem: o sangue a ferver
sob a pele igual aos dias antes de tudo, tempestades de
medo nos lábios a sorrir: será que vou morrer?, pergunto
dentro de mim: será que vou morrer?, olhas-me e só tu sabes:
ferros em brasa, fogo, silêncio e chuva que não se pode dizer:
amor e morte: fingir que está tudo bem: ter de sorrir: um
oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga.

Coisas um bocadinho (muito) estúpidas...

...em que o nosso país se transformou:

- Uma adolescente de 16 anos pode fazer livremente um aborto, mas não pode pôr um piercing.
- Um cônjuge para se divorciar, basta pedir.
- Um empregador para despedir um trabalhador que o agrediu precisa de uma sentença judicial que demora 5 anos a sair.
- Na escola, um professor é agredido por um aluno. O professor nada pode fazer, porque a sua progressão na carreira está dependente da nota que dá ao seu aluno.
- Um jovem de 18 anos recebe €200 do Estado para não trabalhar; um idoso recebe de reforma €236 depois de toda uma vida do trabalho.
- Um marido oferece um anel à sua mulher e tem de declarar a doação ao fisco.
- O mesmo fisco penhora indevidamente o salário de um trabalhador e demora 3 anos a corrigir o erro.
- O Estado que queria gastar 6 mil milhões de euros no novo Aeroporto da Ota recusa-se a baixar os impostos porque não tem dinheiro.
- Nas zonas mais problemáticas das áreas urbanas existe 1 polícia para cada 2 000 habitantes; o Governo diz que não precisa de mais polícias.
- Numa empreitada pública, os trabalhadores são todos imigrantes ilegais, que recebem abaixo do salário mínimo e o Estado não fiscaliza.
- Um professor é sovado por um aluno e o Governo diz que a culpa é das causas sociais.
- Numa entrevista à televisão, o Primeiro-Ministro define a Política como "A Arte de aprender a viver com a decepção".
- Um polícia bater num negro é uma atitude racista, um bando de negros matar 3 polícias é porque não estão inseridos na sociedade.
- Um clube inscreve mal um jogador e são-lhe retirados 6 pontos; um clube que tenta subornar um árbitro são-lhe retirados 6 pontos.
- O café da esquina fechou porque não tinha WC para homens, mulheres e empregados; no Fórum Montijo a WC da Pizza Hut fica a 100 mts e nem tem local para lavar mãos.
- O governo incentiva as pessoas a procurarem energias alternativas ao petróleo e depois multa quem coloca óleo vegetal nos carros porque não paga ISP (Imposto sobre produtos petrolíferos).
- O ministério do ambiente incentiva o uso de meios alternativos ao combustível. No edifício do Ministério do Ambiente não há estacionamento para bicicletas, nem se sabe de nenhum ministro que utilize esse meio de transporte.
- Nas prisões são distribuídas gratuitamente seringas por causa do HIV, mas como é que entra droga nas prisões?
- No exame final de 12º ano és apanhado a copiar e chumbas o ano; o primeiro-ministro fez o exame de inglês técnico em casa e mandou por fax e é engenheiro.
- Um jovem de 14 mata um adulto: não tem idade para ir a tribunal; um jovem de 15 leva um chapada do pai por ter roubado dinheiro para droga: é violência doméstica.
- Uma família a quem uma casa ruiu e não tem dinheiro para comprar outra, o Estado não tem dinheiro para fazer uma nova, diz que "têm de viver conforme podem".
- Seis presos que mataram e violaram idosos estão presos numa sela de quatro, sem wc privado. É dito que "não estão a viver condignamente" e a Associação de Direitos Humanos faz queixa ao tribunal europeu.
- Militares que combateram em África a mando do governo da época não lhes é reconhecido nenhuma causa nem direito de guerra, o primeiro-ministro elogia as tropas que estão em defesa da pátria no KOSOSO, AFEGANISTÃO E IRAQUE.
- Começas a descontar em Janeiro o IRS e só vais receber o excesso em Agosto do ano que vem; não pagas as finanças a tempo e horas passado um dia já estás a pagar juros.
- Fechas a janela da tua varanda e estás a fazer uma obra ilegal; constrói-se um bairro de lata e ninguém vê.
- Se o teu filho não tem cabeça para a escola e com 14 anos o pões a trabalhar contigo num ofício respeitável, é exploração do trabalho infantil; se és artista e o teu filho com 7 anos participa em gravações de telenovelas 8 horas por dia ou mais, a criança tem muito talento, sai ao pai ou à mãe.
- O primeiro-ministro diz que o serviço de saúde com as medidas que foram tomadas está mais prático e eficiente; não há registo de na última década alguém ter visto, ministro, esposa ou enteados nos SAP's (Serviços de Atendimento Permanente).
- Pagas 0.50€ por uma seringa na farmácia para dar um medicamento ao teu filho; se ele fosse drogado, não pagavas nada.


Post longo, eu sei.
Mas observações pertinentes. Atitudes pouco inteligentes.
Dá que pensar não?


O Banco

Não foi premeditado. Como sempre, quando preciso chorar ou arrumar pensamentos, fui até à beira-mar.
O barulho das ondas a desfazer-se nas rochas, a água do mar a lamber a areia é um pouco do que preciso para desabafar em silêncio.
E ali estava ele: frio, forte, mas solitário. Aquele banco. Dos muitos que há por lá, apenas aquele estava desocupado; apenas aquele não estava ocupado pela multidão de sábado à tarde caminhando de lá para cá, qual colónia de formigas armazenando comida para o Inverno que se avizinha a qualquer altura.
Sentei-me. E só depois de me sentar, algum tempo depois, reflecti na localização daquele banco. “O solitário” era “o” banco. O banco onde tivemos (talvez) a nossa primeira conversa a sério como amigos.
Senti o frio do banco no corpo.
Deixei-me ficar assim algum tempo. À medida que o mar molhava a areia, também o frio do banco se ia entranhando na minha pele e carne, até chegar aos ossos.
Fechei os olhos e, tal como depois da tempestade vem a bonança, depois daquela primeira recordação vieram muitas mais. Nitidamente. Como se de cada vez que eu cerrasse mais os olhos, mais penetrasse nas memórias daquela noite. Daquela conversa.
Naquele momento senti-me uma pessoa de confiança. Senti-me bem perto de ti, mais a nível da mente do que a nível físico, devo confessar.
Quando me falaste de certas coisas que me mostraram a tua insegurança naquele momento, quando partilhaste comigo algo que te entristecia e que não querias ver tornado realidade… Quando vi as lágrimas nos teus olhos apeteceu-me afagar-te o cabelo, abraçar-te, manter-te junto a mim como uma criança inocente, insegura e indefesa; embalar-te nos braços e não parar de te sussurrar ao ouvido “está tudo bem” ou “pode não estar agora, mas vai ficar tudo bem”.
Apeteceu-me dar-te a mão e mantê-la apertada para saberes que estava lá para ti. E que, mesmo sem o saberes, continuo aqui agora.
Era capaz de ficar à cabeceira da cama da criança que há em ti até sentir a mão a aliviar a força que fazias na minha, porque finalmente te sentiste seguro suficiente para seguir sem mim.
Mas, de novo, voltei a ficar sozinha com os meus pensamentos…
Eu, a noite, a insónia e tu como «objecto» dos meus pensamentos.
Que belos parceiros para um jogo de cartas… Quem fará par com quem?

Coisas

Há dias lembrei-me que às vezes somos capazes de gostar de coisas muito específicas. Mais ou menos específicas, aqui ficam algumas coisas de que eu gosto :)
Fica o desafio a quem ler e quiser responder. Mas avisem no comentário que eu quero ir espreitar ao vosso blog :)


Gosto:
1. das folhas mais verdinhas da alface (aquelas de dentro)
2. de comer chocolate que fica mole com o calor
3. da cama feita de lavado e sentir o fresco dos lençóis no corpo quando me deito (especialmente no Verão)
4. de chegar de trabalhar morta de cansaço e adormecer em 5 minutos (é óptima a sensação, porque sofro de insónias)
5. de falar com alguém só por olhares (não é sr JG?)
6. de gestos espontâneos de carinho no meu sobrinho (derrete-me o coração)
7. de passar o dedo na louça debaixo de água e ouvir o barulho que me diz: está lavadinha! :)

E pronto, não me lembro de mais...
Aturem-me que é o remédio!

PERDAS OU ILUSÕES


"E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."

O mundo em que cresci


"Cresci num mundo que já não existe, a pensar que o casamento é para sempre, que as pessoas que nos amam nunca se vão embora, não mentem, não têm amantes nem gastam dinheiro em vícios."

Imaginação romântica


No meio de uma conversa e desabafos sinceros saiu-lhe : "...e quisesses ser minha queria-te só para mim, acho que iria gostar de me dedicar a ti. Só a ti. Acho que iria gostar de saber que no fim de cada viagem estarias à minha espera... Acho que iria gostar de ser teu."

[e não tens noção de como eu gostava de poder ser tua. ser (ou voltar a ser) o teu fim de cada dia...]



Gosto | Não Gosto




Gosto de gostar. Não gosto de não gostar. Gosto de sentir que ainda posso vir a gostar. Gosto de viajar sentada no canto do sofá. Gosto de saber. Gosto de descobrir que não sabia que sabia. Gosto das cidades desconhecidas, dos jantares solitários e dos quartos de hotel. Não gosto das alturas nem de espaços fechados. Não gosto de ter medo. Gosto de fazer rir. Gosto de oferecer presentes, passados e futuros. Gosto de ser surpreendida. Gosto da minha necessidade de criar, de imaginar. Não gosto de chuva, de vento, de trovoada.Não gosto de mim perdida. Gosto da elegância dos pequenos gestos.Gosto de me calar. Não gosto de conversas de circunstância. Gosto de poder dizer o que penso. Gosto de fazer pensar. Gosto do escuro e gosto da luz. Não gosto de política nem de políticos. Não gosto da política cultural deste país. Não gosto que tratem mal os artistas. Gosto do absurdo. Gosto de fazer 3 coisas ao mesmo tempo. Não gosto de não ter nada para fazer. Gosto de perfumes, da casa cheia de velas e de incensos. Gosto de ter fome, sede e frio. Gosto de me enroscar e que o seu corpo me aqueça noite dentro. Não gosto do meu corpo.Gosto do que faço com o meu corpo. Gosto dos Teatros vazios. Não gosto das horas que precedem os espectáculos. Não gosto da violência, da opressão, do abuso do poder. Não gosto da mediocridade. Não gosto de injustiças. Não gosto de dependências. Não gosto de hábitos. Gosto de me cansar. Gosto de sentir o poder muscular do meu corpo. Gosto de não parecer que tenho 47 anos. Gosto de exageros. Não gosto de verdades absolutas. Não gosto de pessoas cheias de certezas. Não gosto de incompetências. Não gosto de falsidades. Gosto de me sentir segura das minhas inseguranças. Gosto da sensação de pânico no 1º dia de ensaios. Não gosto de ter de vender o que faço. Não gosto da sensação de não ter tempo de fazer tudo o que queria. Gosto de recordar. Gosto de rever fotografias antigas. Gosto de antiguidades. Gosto de coleccionar relógios de parede, parados claro. Não gosto de usar relógio. Não gosto de velocidades, nem desportos radicais. Gosto da necessidade que tenho de escrever. Gosto tanto de computadores quanto de um bom lápis e cadernos pautados. Gosto do cheiro dos livros. Gosto de uma piscina olímpica, seguida de um banho turco, um tanque de água gelada, montes de cremes e por fim um sumo de laranja. Não gosto da inércia. Gosto da preguiça. Gosto deste jogo interminável. Não gosto de ter de terminar. Gostar ou não gostar eis a questão!

Porque é...

... sempre mais fácil dizer "sim, está tudo bem" para evitar que, caso a resposta seja outra, a pergunta seja "por quê?" e eu não saiba explicar.

Assim, o "está tudo bem" é apenas um conjunto de palavras sem significado na minha vida. Um conjunto de palavras que servem de barreira a outras perguntas.

Não digas a ninguém...




A felicidade

"A felicidade não está no fim da jornada, mas sim em cada curva do caminho que percorremos para encontrá-la."


Apareceu-me há tempos, uma pequena história que considero uma lição de vida, das mais importantes que podemos aprender:
«Quando era pequena, adorava joaninhas. Chegava a passar horas no jardim da minha avó à procura delas. Mas quanto mais procurava, mais parecia que nunca iria encontrar nenhuma. Um dia, de tão cansada que estava por ter andado todo o dia à procura das benditas joaninhas, deitei-me no relvado e acabei por adormecer. Quando acordei... estavam as joaninhas sobre mim, ao meu redor, por todo o lado!»
Assim é a nossa vida. às vezes andamos tão obcecados com a "busca de felicidade" que nos esquecemosde abrir os olhos como deve ser e constatar que ela está e sempre esteve ali.
A felicidade não é um destino, é o caminho.

Portas que se abrem

Todos nascemos com um grande potencial. Pode-se despertá-lo com uma escolha.
Abre a tua porta!
Ficar concentrado na porta que se fechou
Pode impedir a visão de outras que se abrem
A PORTA DA VIDA
A vida não deve ser medida por aniversários
Mas sim por realizações
Não contes a tua idade com números
Faz um calendário com as tuas conquistas
A PORTA DO SONHO
Tudo o que existe de grandioso hoje
Foi antes um sonho
Os vencedores dedicam-se a realizar os seus sonhos
Transformando-os em objectivos
Mobilizando o seu potencial
E agindo com disciplina em direcção à vitória
A PORTA DA INTELIGÊNCIA
As portas abrem-se para caminhos
Mas és tu que fazes a caminhada
Aproveita cada momento para desenvolver a inteligência e a criatividade
As soluções existem, basta encontrá-las
A PORTA DA CONSCIÊNCIA
A tua consciência é mais importante que a tua reputação
A tua consciência é o que tu és
A tua reputação é aquilo que os outros pensam que és`
És muito mais do que os outros possam imaginar
A PORTA DA AMIZADE
Nos momentos de crise, os amigos são a melhor referência
Cultiva as amizades existentes e faz novas
A PORTA DA GRATIDÃO
Tudo o que se consegue na vida é com ajuda de alguém
Agradecer é uma boa maneira de deixar os outros motivados
A PORTA DA PROSPERIDADE
Todos nascemos com o potencial para o sucesso
Poder é querer saber!
A PORTA DA CORTESIA
Se tratares bem as pessoas
Indiferentemente do que elas sejam ou tenham
Terás boas pensamentos dirigidos a ti
Ser cortês ajudar-te-á a chegar onde queres mais rápido
A PORTA DA ESPERANÇA
Pensa bem: na vida melhores dias sempre virão
A vida tem as suas estações
Todos os ciclos têm início e fim
O que prova existir razões para termos esperança
A PORTA DO ANO NOVO
Realiza muito
Sonha bastante
Tem vitórias
Treina a tua inteligência e criatividade
Respeita a tua consciência
Preza as amizades
Sê agradecido
Prospera muito
Sê cortês
E acima de tudo...
Tem esperança!
Para que saibas como abrir a porta certa.

"Se alguém bater um dia à tua porta", pelo grande Fernando Pessoa

Se alguém bater um dia à tua porta,
Dizendo que é um emissário meu,
Não acredites, nem que seja eu;
Que o meu vaidoso orgulho não comporta
Bater sequer à porta irreal do céu.
Mas se, naturalmente, e sem ouvir
Alguém bater, fores a porta abrir
E encontrares alguém como que à espera
De ousar bater, medita um pouco.
Esse era Meu emissário e eu e o que comporta
O meu orgulho do que desespera.
Abre a quem não bater à tua porta
Ainda que mal
Ainda que mal pergunte,
ainda que mal respondas;
ainda que mal te entendas,
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista,
ainda que mal desculpes;
ainda que mal me exprima,
ainda que mal me julgues;
ainda que mal me mostre,
ainda que mal me vejas;
ainda que mal te encare,
ainda que mal te furtes;
ainda que mal te siga,
ainda que mal te voltes;
ainda que mal te ame,
ainda que mal o saibas;
ainda que mal te agarre,
ainda que mal te mates;a
inda, assim, pergunto:me amas?
E me queimando em teu seio,
me salvo e me dano......
de amor.


CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Escritor: 1902 - 1987


Porque é que o tempo passa?
Porque é que envelhecemos?
Porque é que percebemos que as nossas vidas se esgotam dentro do nosso corpo?
Porque não podemos sentir o cheiro da chuva na terra seca sempre?
Ou da relva acabadinha de cortar?
Porque é que não podemos sentir o gosto do Natal tal como em criança?
Porquê a vontade de chorar ao perceber que um pouco de nós se vai com a pessoa que amamos quando parte?
Para onde foi ela?
Porque é que não podemos ir juntos e ter a certeza de que a felicidade continuará?
Porque é que não podemos ser eternos como estamos?
Um dia, antes de chegar a minha vez de partir, gostaria de ter a resposta a todas estas perguntas.
Talvez sejamos demasiado pequenos para entender o ciclo da vida ou talvez passemos demasiado tempo em busca de explicações...
Por vezes confusas, por vezes tão claras...
Gostaria de sentir novamente a alegria de abraçar as pessoas que amo e que deixaram este mundo.
Sinto falta delas.
Gostaria de poder continuar a abraçar as que ainda estão comigo, pois também sinto falta delas.
Assim esta luta seria menos árdua.
Talvez assim não sentiria tanto a falta dos natais, das alegrias, dos sorrisos e do cheiro da chuva na terra seca...

..:CATHARSIS/Sentimentos:..

Catarse é acordar e olhar em frente
e ao deitar querer voltar atrás
É acreditarmos na verdade como se mente
e esquecermos como se é capaz
É sentirmos-nos bem na cama
sentirmos-nos bem no mundo
É ansiarmos como se ama
como se o tal dia fosse um segundo
É devorarmos a vida
e querermos a morte
ouvirmos a razão contida
e jogarmos sem sorte
É cantar até não poder mais
até que o silencio nos ensurdeça
talvez respirar demais
e esperar que tudo desapareça
É sorrir e acharmo-nos bonitos
e depois partir o espelho
dançarmos por entre sonhos e conflitos
e nunca pedir um conselho
É suplicar para que alguém nos queira
e nunca sermos de ninguém
por vezes o abismo não tem beira
quando esperamos pelo que não vem
É termos muita força
e vencermos cada batalha
mesmo que não se possa
É ter de aceitar uma falha
É criarmos as nossas regras
e sabermos quando esquecer
É calarmos como pedras
simplesmente porque tem que ser
É não nos desiludirmos conosco
e gostarmos de todos os que nos querem
escondermos a nossa vida num frasco
para que um dia se lembrem
Que catarse é não ter tudo
e querer nada
É mais um grito mudo
de outro conto de fada

Vale a pena conhecer o branco para saber o que significa o preto?

Vale a pena saber o que é a luz para mais tarde conhecer a escuridão?
Vale a pena aprender a sorrir, para mais tarde aprender a chorar?
Valerá a pena aprender o que é felicidade para depois reconhecer a infelicidade?
Valerá a pena amar e ser amado para mais tarde sentir que tudo foi passado?

Impulsivamente eu diria que não, mas sabendo que estou errada eu direi que:

Se não conhecermos o branco, jamais saberemos o que é o preto.
Se não aprendermos a sorrir, nunca saberemos chorar.
Se não conhecermos a água da chuva, nunca saberemos o que é uma seca.
Se não conhecermos a paz, nunca saberemos o que é a guerra.

Se não passassemos por estas provas, não aprenderíamos e não evoluiríamos.
Por muito que nos doa, temos que passar por elas sob pena de não ganhar o conhecimento e sem conhecimento, não existiríamos… seríamos amorfos ou vegetais.
Temos que aprender tudo e tudo passar…
O bom e o mau, pois sem conhecer o bom, não saberíamos que existe o mau.

Custa e dói mas faz parte da lição da vida...


Se existir guerra... que seja de almofadas
Se existir fome... que seja de amor
Se for para enganar... que seja o estômago
Se for para chorar... que seja de alegria
Se for para roubar... que seja um beijo
Se for para perder... que seja o medo
Se for para cair... que seja num abraço
Se for para ser feliz... que seja o tempo todo!
As pessoas especiais nunca se perdem, apenas trilham caminhos diferentes...
Mas permanecem sempre no coração...


Uma vez aluno, aluno para sempre! (lição ao professor quando se julga muito esperto e quer humilhar)


(Professor) - Quantos rins nós temos?

(Aluno) - Quatro!

(Professor) - Quatro?

(Professor) - Alguém que traga um fardo de palha, pois temos um asno na sala!

(Aluno) - E para mim um cafezinho!

(Professor ) - Saia já daqui!

(Aluno antes de sair) - O senhor perguntou-me quantos rins "nós" temos. "Nós" temos quatro: eu tenho dois e você outros dois. Tenha um bom apetite e delicie-se com a palha...